A ideia de amor absolutamente incondicional, embora culturalmente romantizada, muitas vezes mascara relações assimétricas, abusivas ou codependentes. Winnicott, ao falar de “mãe suficientemente boa”, já nos lembra que até o amor materno — considerado o mais próximo da noção de incondicionalidade — se dá dentro de limites possíveis, permeados por falhas, reparações e condições concretas da vida psíquica e social.
O amor adulto, então, exige ainda mais fronteiras: reciprocidade, reconhecimento da alteridade e respeito pelas necessidades de cada sujeito. Sem essas condições, o que chamamos de “amor” pode se confundir com fusão, submissão ou sacrifício unilateral.
Todo amor saudável precisa de bordas claras: respeito, cuidado, desejo mútuo, liberdade para ser e para se diferenciar. Amor sem limites não é plenitude, mas sim risco de apagamento de si.
Em outras palavras, amor precisa de condições para ser vínculo, não prisão. Precisa de limites para ser cuidado, não invasão. Precisa de reciprocidade para ser encontro, não perda de si.


